fenomenologia existencial, tudo o que você precisa saber aqui na Psicologia Viva

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Aliado a essas práticas, acompanhamos o crescimento das práticas médico-psiliterárias, como as da psiquiatria, da neuropsiquiatria, da neuropsicologia e de toda uma literatura de autoajuda, instâncias essas que medicam, prescrevem, orientam, aconselham, com a meta de produzir seres humanos ajustados, realizados e felizes. Outras forças se anunciam no contemporâneo, deixando para trás o período, até saudoso, em que o combate se dava apenas entre três delas no campo da Psicologia, bem demarcadas e identificadas. Mesmo que hoje não utilizemos essa nomenclatura, ainda estamos diante de campos distintos das práticas psicológicas, e a Psicologia humanista, ainda que anunciasse algum refrigério frente às outras duas forças, ainda mantinha e mantém, em seus fundamentos, ideias deterministas. Desenvolvida por Edmund Husserl, matemático e filósofo, a fenomenologia significa um estudo e investigação dos fenômenos, isto é, tudo aquilo que se mostra e deixa aparecer.

Fenomenologia Existencial

Logo, a crítica de Heidegger (2001a) à técnica moderna tornaria esse modo de procedimento contraditório em si mesmo. Ou seja, se não há neutralidade nessa relação, todavia, ela não é derivada como um atributo de um sujeito emocional, mas sim o modo como, desde sempre, acontece o existir humano a partir do qual é possível pensar em um sujeito e suas emoções. Faz-se mister, portanto, tentar escapar de toda e qualquer aproximação com as Psicologias modernas, sejam elas científicas, psicodinâmicas ou humanistas. Essas se desenvolveram a partir de pressupostos intrínsecos à subjetividade, tais como a assunção da verdade como representação e a retenção da dicotomia sujeito-objeto como estrutura originária da realidade.

O que é a Psicologia Fenomenológico-Existencial

Como foi demonstrado anteriormente, no que se refere a clínica psicológica, por exemplo, o conceito de liberdade tem sido associado ao que entende-se por saúde e sofrimento psíquico; no entanto, parece não existir uma clareza e nem uma uniformidade conceitual e epistemológica sobre o conceito. O objetivo deste estudo, portanto, foi procurar evidenciar o estado do conhecimento desta temática, além de explorar os diversos sentidos atribuídos à liberdade e as principais questões a ela atreladas pelos autores das publicações triadas. Espera-se que as informações da presente pesquisa possibilitem a exposição de um panorama do estado de conhecimento sobre liberdade nos últimos vinte anos. Trata-se de um mapeamento do campo de produção bibliográfica que objetiva, a partir da revisão sistemática de artigos, demonstrar possíveis convergências ou divergências teóricas e conceituais que venham a auxiliar na produção de outros estudos acerca do tema. Na mesma linha de Tripicchio, sustentamos que a amplitude atingida pelos escritos de James nos permite identificar três vertentes presentes nas suas obras.

O que é a psicologia fenomenológica–existencial? Um passeio pela trajetória da abordagem

As consultas baseadas na abordagem fenomenológica-existencial podem te mostrar o caminho para ser protagonista da sua própria vida. Por mais simples que pareça, é de extrema dificuldade para muitos conseguir retomar o controle sobre o que lhe atinge ou não, as atitudes que decide ou não tomar e os acontecimentos que permite, mesmo que inconscientemente, ditar o rumo de seus dias. Assim, entender que suas próprias decisões são a única coisa capaz de te levar de um ponto A para um ponto B pode ser a chave para mudar sua mentalidade, redescobrir seu “eu” interior, superar traumas, assumir novas atitudes e enfrentar uma nova fase da vida. Mencionamos anteriormente que, na atualidade, há uma variedade imensa de abordagens na psicologia. Elas, inclusive, podem ser utilizadas em conjunto, a depender da necessidade do paciente e do perfil de cada psicoterapeuta. Mas, a abordagem principal utilizada nas consultas é definida pelo profissional ainda durante sua jornada acadêmica, agindo como uma prévia da forma como lidará com seus pacientes — claro, sempre tendo em mente que cada realidade é única para um indivíduo, e isso que guiará a vivência de ambos na psicoterapia.

  • Pode ser utilizada em diversas áreas de humanas, na psicologia costuma ser utilizada nas abordagens existenciais, humanistas e na gestalt-terapia.
  • O livro utiliza a expressão terceira força e nela os três psicólogos norte-americanos apresentam os temas fundamentais e as teorias da personalidade que embasam a abordagem.
  • A aproximação do movimento estado-unidense com o pensamento e a psicologia existencial se deu devido a experiência pessoal de um importante psicólogo dos Estados Unidos, Rollo May, ao ir para a Europa tratar uma doença.
  • Há, ainda, a possibilidade de perda de dados na etapa de análise de elegibilidade dos artigos, pelo fato desta restringir-se à leitura dos resumos e palavras-chave.
  • Todas as abordagens possuem a mesma finalidade, que é a de ouvir e ajudar a pessoa a resolver suas problemáticas, porém a forma de atuar e de entender esse paciente é diferenciada.
  • Nesse ponto, a Filosofia existencial de Kierkegaard, a fenomenologia de Husserl e seus desdobramentos em Heidegger e em Sartre nos são de grande auxílio, porque encontramos nesses projetos uma crítica principal a tais pressuposições mencionadas acima.

Psicologia fenomenológica-existencial Latino Americana[editar editar código-fonte]

Este artigo apresenta o modo de ser do homem como "existência", tal como elaborado por Heidegger em "Ser e Tempo", como uma das contribuições mais fundamentais da fenomenologia para a psicologia clínica. A noção de "existência", também relacionada às de "ser-aí "(Dasein) e "ser-no-mundo", é compreendida como abertura originária ao ser dos entes, como pré-compreensão do ser enquanto tal, vinculada à condição de "estar-lançada "em uma facticidade temporal. Entende-se que a noção heideggeriana de "existência "demarca uma atitude clínica nitidamente diferenciada e oferece novas possibilidades de tematização dos fenômenos psicológicos e da prática clínica. As práticas psicológicas clínicas de perspectiva fenomenológica existencial, ao tomarem a experiência de si e do outro como "ser-no-mundo-com", apresentam-se como espaços de cuidado/desvelamento dessas possibilidades de "ser-com "e não de um sujeito intrapsíquico. Podemos aproximar, com as devidas reservas, essa concepção budista de originação interdependente e a compreensão heideggeriana sobre a cooriginariedade de homem e mundo. Essa abertura originária de sentido, jamais objetivável como algo dentro de um mundo pré-existente, é aquilo que Heidegger denominou como "existência", "ser-aí "(Da-sein) ou ser-no-mundo.

O ser-ôntico do homem é já estar sempre em meio a esses entes, identificado com eles, como se fosse mais um entre outros, vivendo sua vida como fulano que tem um jeito de ser particular. Conforme observado acima, o ser humano -como Dasein - não se limita ao "aqui e agora"; há como que um continuum entre ser e poder-ser, de modo que o ainda-não que pode vir-a-ser (futuro) está sempre "presente". Dasein é confrontado com possibilidades e é da sua própria natureza estar consciente dessas possibilidades em algum sentido, realizar algumas delas e rejeitar outras. Entretanto, isto não é, apenas, um modo de escolher entre opções, mas sim a constituição mesma do Dasein (DeLancey, 2006, p. 362). A Logoterapia de Frankl teve suas origens em Viena no final dos anos 1920 (Etcheverry, 1990), como contraposição às teorias de Freud e Adler.

  • Concepção prévia refere-se às conceituações relativas ao recortado que já sempre estão presentes em qualquer investida compreensiva.
  • Já é percebido por um determinado humor, por uma determinada compreensão, por uma determinada estrutura prévia (ver acima).
  • Epistemologia refere-se a um segmento da Filosofia moderna que mantém um diálogo afinado com o projeto científico.
  • Onde predominam ideias de causalidade linear e determinismo psíquico ou biológico, a liberdade não é tratada como uma característica fundamental do ser humano.
  • Entre os principais autores em fenomenologia estão Edmund Husserl, Margin Heidegger, Merleau-Ponty.

fenomenologia existencial

As produções contemporâneas de novos modos de subjetividades demandam das práticas psicológicas clínicas uma permanente reflexão e rearticulação de suas estratégias. Neste contexto, para que a psicoterapia possa se constituir em um espaço de cuidado e abertura a outros modos de existir, ela não pode permanecer acriticamente subordinada a esse mesmo horizonte histórico de redução de sentido (Sá, 2009, p.73). As temáticas do desespero, da angústia, da repetição, do eu aparecem, portanto, com frequência em obras do filósofo, algumas com subtítulos incluindo o termo Psicologia que, na época, era considerada uma filosofia do espírito subjetivo (não do sujeito). Até hoje, quando se fala em Psicologia humanista, se tem em conta o trabalho de Rogers com sua Psicologia centrada na pessoa, havendo inúmeros centros de formação no Brasil dedicados ao seu pensamento. O respeito pelo sentido dado as vivências de cada um, uma terapia onde a construção desta é feita em conjunto entre terapeuta-paciente, valorizando o ser humano como único, inacabado e com infinitas possibilidades de mudança ao longo da vida. Uma pessoa que está em constante transformação, um ser que existe e se constrói a cada dia, é esta visão da psicologia fenomenológico-existencial que me encanta, na qual acredito e com a que trabalho. A pandemia de COVID-19 interrompeu as atividades presenciais em quase todos os Âmbitos de atenção psicológica. Os primeiros estudos sobre impactos psicológicos indicam sofrimentos existenciais como medo e pânico, estigmatização e exclusão e depressão.  psicologos -se um entendimento deste momento, sob a perspectiva fenomenológico-existencial, como de ruptura com a familiaridade cotidiana, que lança a existência na indeterminação e na busca de modos de reestabilização. Propõe-se, então, o aconselhamento psicológico fenomenológico-existencial como modalidade de atenção psicológica voltada para profilaxia em saúde mental que objetiva maior clareza na situação existencial atualmente vivenciada para dispor de maior liberdade para lida com o novo cotidiano. Como as atividades presenciais estão interrompidas, explora-se o aconselhamento psicológico por ferramentas de comunicação online como alternativa para este momento, recorrendo a literatura que fundamente esta prática. A posição de Längle oportuniza propor uma transição, psicológica, das possibilidades para os valores. No nível da consideração ontológica, o ser humano é suas possibilidades, sem que isso implique qualquer entendimento a respeito de quais possibilidades se persegue, quais se abandona e quais motivos levam alguém a decidir por esta ou aquela possibilidade. Na sequência do artigo, apresentam-se ideias de Frankl e retomam-se noções heideggerianas, a fim de explicitar uma possível relação entre a concepção filosófica de ser humano, como Dasein, e a proposta logoterapêutica. Ressalte-se que com essa aproximação não se pretende impor ao pensamento de Frankl uma fundamentação heideggeriana, mas sim propor uma aproximação, a fim de mostrar como a filosofia de Heidegger pode ter desdobramentos na psicologia. A descrição do modo de ser do Dasein seria a primeira etapa do questionamento do ser em geral; projeto este que, do ponto de vista de Ser e Tempo, ficou inconcluso, uma vez que a aventada segunda parte da obra nunca foi publicada (Mulhall, 2013). Pode-se afirmar que, nas produções de base fenomenológico-existencial, a liberdade é tratada como uma característica fundamental do ser humano, perspectiva que não encontramos em outros sistemas teóricos da psicologia. Entretanto, esta conceituação de liberdade, como característica fundamental do ser, expressa dois enfoques diferentes. Primeiramente, na unidade de análise liberdade a que/a quem, houve a predominância (82,5%) da atribuição da liberdade ao ser enquanto sua característica ontológica,ou seja, à indeterminação do ser. Já 17,5% dos autores descreveram a liberdade enquanto característica de uma parte do ser, como a vontade ou a um núcleo interior. A partir da análise das 29 publicações encontradas, evidenciou-se o caráter atual da discussão acerca da liberdade em artigos de base fenomenológico-existencial, principalmente devido ao maior número de artigos publicados na última década, quando comparada à década anterior. Tal fato reforça a pertinência de uma revisão sistemática que busque compreender como a temática vem sendo tratada pelos autores desta abordagem. Embora a Psicologia fosse a área de formação da maior parte dos autores dos artigos, a presença de autores de outras duas áreas fez sentido, considerando a interlocução da psicologia fenomenológico-existencial especialmente com a Filosofia, enquanto fundamentação epistemológica, mas também com a Literatura, através de Sartre. A terceira força, então, foi denominada por Maslow de Psicologia humanista, que se constituiu como um movimento contestador dos outros modos de se fazer Psicologia. Não se pode esquecer o momento que vivia os EUA, de prosperidade econômica no Pós-Guerra e de muito otimismo. A autoridade do psicólogo e do psicanalista começou ser questionada em prol da libertação criativa do homem, que saberia, ele mesmo,  naturalmente, o que era melhor para o seu crescimento. Um dos aspectos que podem ter promovido a mistura de fronteiras entre as perspectivas existencial e humanista seria a proximidade entre movimentos filosóficos europeus e psicólogos norte-americanos interessados em uma reflexão existencial. Esse teria sido o caso de Rollo May, que chegou a morar na Grécia e a estudar em Viena com Alfred Adler, este último já afastado de Freud. Ao voltar aos Estados Unidos, May será influenciado pelo filósofo e teólogo alemão Paul Tillich, que lhe apresentará o pensamento do dinamarquês Soren Kierkegaard.